
Em A invenção de Arthur Bispo do Rosário: Loucura, arte e patrimônio cultural, Viviane Trindade Borges mostra as diferentes formas pelas quais seu personagem se delineia, conforme o olhar de quem o apreende, de quem o toma e o institui como objeto. Entendendo que loucura e arte entrelaçam-se para compor a capacidade artística e a genialidade de um sujeito tido como único, a autora demonstra como a figura de Bispo emerge como o resultado de tramas discursivas, produzidas por discursos acadêmicos, institucionais e artísticos, entre outros.
Sobre o livro
A autora analisa a forma como a figura de Bispo do Rosário foi construída e interpretada ao longo do tempo, dependendo do olhar e da instituição que se debruçava sobre ele. O livro explora como a obra do artista foi tirada do esquecimento e, posteriormente, reconhecida como parte do patrimônio cultural brasileiro. A análise de Viviane Trindade Borges investiga o processo pelo qual a arte de Bispo foi inserida no contexto cultural e patrimonial, inclusive com o tombamento de suas peças e a criação de um museu em sua homenagem.
Sobre Arthur Bispo do Rosário
Vida e criação: Nascido em Japaratuba (SE), Bispo do Rosário (1909–1989) passou a maior parte de sua vida internado na Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro, diagnosticado com esquizofrenia. No interior da instituição psiquiátrica, ele produziu uma vasta obra, bordando, esculpindo e catalogando o mundo a partir de objetos encontrados e materiais do cotidiano.
Obra: Suas criações, que incluem o famoso Manto da Apresentação, são marcadas por uma profunda carga simbólica, com a utilização de palavras, objetos e símbolos que representavam sua missão pessoal e espiritual.
Reconhecimento: A obra de Bispo do Rosário foi sendo redescoberta e reconhecida ao longo das décadas, culminando com o estabelecimento do Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea (mBrac) e a realização de exposições que celebram sua produção artística.
O livro de Viviane Trindade Borges contribui para a reflexão sobre a trajetória de Bispo do Rosário, mostrando como a genialidade e a loucura se entrelaçaram para criar um dos artistas mais singulares do Brasil
Autor: Viviane Trindade Borges
Idioma: Português
Editora do livro: Letra e Voz
Data da publicação:1 janeiro 2019
Edição:1ª
Peso do produto: 255 g
Dimensões: 14 x 1.7 x 21 cm
Quantidade de páginas: 240 páginas
Notas
Originalmente apresentada como tese do autor (doutorado - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2010) sob o título: Do esquecimento ao tombamento: a invenção de Arthur Bispo do Rosário.
_ Conteúdo _
Prefácio: Que Bispo não descanse em paz!
Apresentação: Tramando a tessitura
Capítulo 1: Quando ainda não era louco
1.1 “Um dia eu simplesmente apareci”
1.2 “Já fui marinheiro e boxeur”
1.3 “No dia 24 de dezembro de 1938 eu vim”
Capítulo 2: Esquizofrênico paranoide
2.1 Os (des)caminhos de um prontuário
2.2 O morador do Ulisses Viana
2.3 “Rosângela Maria. Diretora de tudo. Eu tenho”
2.4 A passagem
Capítulo 3: "Tá mais do que visto": A versão de si de Arthur Bispo do Rosário
3.1 Bispo e a vida como obra de arte
Capítulo 4: A consagração do "artista genial"
4.1 Surgimento de um artista plástico genial
4.1.1 A invenção de um artista
4.1.2 A consagração do artista nacional
4.2 Do hospício para o mundo: O “fabricante de curiosidades”
Capítulo 5: "Bispo do Rosário está voltando": O tombamento, o museu e o monumento
5.1 Tombamento e descaso
5.2 Um Museu para Bispo
5.3 “Arthur Bispo do Rosário está voltando”
_ Sobre a autora _
VIVIANE TRINDADE BORGES é doutora em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2010), com estágio na École des Hautes Études en Sciences Sociales – EHESS, Paris. Professora da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), atuando no curso de graduação em História e como docente permanente no Programa de Pós-Graduação em História. É coordenadora do Laboratório de Patrimônio Cultural (Labpac/Udesc). Membro da Red Iberoamericana de Historia de la Psiquíatria, da International Federation for Public History (IFPH) e da Rede Brasileira de História Pública. Desenvolve investigações sobre os seguintes temas: História das práticas institucionais de confinamento, Biografia, História Pública e Preservação do Patrimônio, em especial os Patrimônios Difíceis e o Patrimônio Prisional.