O INVENTÁRIO DO MUNDO

===========================================================================================================================================================Fãs da obra de Bispo do Rosário. Bem vindos para ver coisas que considero legais; uma extensão de mim; meus pensamentos e gostos, simplesmente eu: T.MARIA ; tome como verdade o que lhe convém. =========================================================================================================================================================== Uma voz é ouvida pelo homem negro, pobre, estigmatizado, preso numa cela de manicômio. Ele é Arthur Bispo do Rosário. A voz transforma a sua realidade, dá-lhe o tamanho gigante que tem, ordena que ele mude seus dias até seu encontro com Deus. E Arthur transmuta a miséria em riqueza e cor, em fé e sonho. Este Blog retrata a vida, o processo de loucura e a criação artística de Bispo do Rosário, sergipano que viveu por cinco décadas internado em hospitais psiquiátricos, diagnosticado como esquizofrênico. Seu talento artístico e sua obra surpreendente foram descobertos no início dos anos 80 e ganharam repercussão internacional. O que se tem aqui é a história de um homem que se situa entre o mito e a realidade. Com o Manto da Apresentação Bispo do Rosário queria ser enterrado, para estar vestido com a história de sua vida ao chegar à presença de Deus, no grande dia, no dia em que esse corpo atravessaria a matéria e poderia enfim transcendê-la. Transcender a brutalidade que mora na matéria, na condição de vida-morte imposta à sua matéria. O fato de haver tantas fragilidades em sua memória torna ainda mais importante conhecer da história de Bispo. Seja em museus, cordéis, sites, filmes, livros, músicas e o que mais houver, assim preservar sua memória.

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segunda-feira

OBRA ORFA; Bola de boliche

 

Obra ORFA; Bola de Boliche - Bispo do Rosário


Título: Bola de boliche

Designação: ORFA

Descrição: Bola em fio branco, com inscrição em azul e pequena alça em linha.

Materiais: Material não identificado, Fio de algodão, Tecido, Linha

Medidas: Diâmetro: 8,00 cm

Técnicas: Revestimento, Costura, Bordado, Escrita

Tema/Assunto: Esporte Jogo


OBRAS EMBARCAÇÕES: Balsa com carros

Obras embarcações: BALSA COM CARROS - BISPO DO ROSÁRIO 

Obras embarcações: BALSA COM CARROS - BISPO DO ROSÁRIO 


Obras embarcações: BALSA COM CARROS - BISPO DO ROSÁRIO 

Obras embarcações: BALSA COM CARROS - BISPO DO ROSÁRIO 

Título: Balsa com carros

Designação: Embarcação

Descrição: Miniatura de balsa com veículos de plástico coloridos constituído por duas pranchas de madeira soltas, mas sobrepostas. Prancha inferior cercada nas laterais por arame, prego e cordão de fios de arame. Prancha superior com nove carros, um tanque e uma moto com motoqueiro. Objetos industrializados em plástico nas cores amarelo, verde, rosa, azul, prata e preto.

Materiais: Madeira, Plástico, Metal, Náilon, Tinta\cal, Objeto industrializado

Medidas: Altura: 15,00 cm x Largura: 70,00 cm x Profundidade: 17,50 cm

Técnicas: Montagem, Carpintaria, Pintura

Tema/Assunto: Brinquedo

 

OBRA EMBAECAÇÃO: NAVIO(desenho encontrado na parede da cela em que Bispo vivia)

 

NAVIO(desenho encontrado na parede da cela em que Bispo vivia)

NAVIO(desenho encontrado na parede da cela em que Bispo vivia)

NAVIO(desenho encontrado na parede da cela em que Bispo vivia)

NAVIO(desenho encontrado na parede da cela em que Bispo vivia)

Título: Barco

Designação: Desenho

Descrição: Desenhos pintados na parede da cela onde Bispo do Rosário vivia.

Materiais: Tinta, Grafite, Cimento

Medidas: Altura: 350,00 cm x Largura: 220,00 cm x Profundidade: 350,00 cm

Técnicas: Pintura, Desenho 

Tema/Assunto: Marinha



OBRA EMBARCAÇÃO - NAVIO(desenho no papel)


Título: Navio Indústria de adubos Jaguaré S.A.

Título: Navio Indústria de adubos Jaguaré S.A.

Designação: Desenho

Descrição: Representação de destroier, emoldurado, atravessando todo o suporte do desenho. O barco tem duas grandes chaminés por onde sai fumaça. Entre elas, um mastro alto onde estão presas, de cada lado, uma fileira de bandeirinhas de sinalização. Bandeira do Brasil hasteada na popa da embarcação onde se vê uma hélice. Na lateral, vêm-se três escadas. Desenho executado no verso da capa de um calendário impresso "Indústria de Adubos Jacaré S. A."

Materiais: Papel, Grafite,Lápis de cor, Madeira, Vidro

Medidas: Altura: 40,00 cm x Largura: 81,00 cm x Profundidade: 3,00 cm

Técnicas: Desenho

Tema/Assunto:Marinha

 

quarta-feira

OBRA CARRINHO DE ESPERA - MOEDAS I

 

lado 1

lado 2

lado 3

lado 4


Título: Moedas I

Designação: Carrinho de espera

Descrição: Vitrine móvel. Caixote de madeira caiada com quatro rodas forrado com jornal contendo coleção de moedas, sem valor comercial, distribuídas em vinte recipientes de plástico de tamanhos e cores variados. Destaque para um recipiente vermelho circular grande e baixo.

Materiais: Madeira, Metal, Plástico, Papel, Tinta\cal, Objeto industrializado

Medidas: Altura: 20,00 cm

Largura: 62,00 cm

Profundidade: 38,00 cm

Técnicas: Montagem, Carpintaria, Pintura

Tema/Assunto: Utensílios diversos



OBRA CARRINHO DE ESPERA - MOEDAS II

lado 1

lado 2

lado 3

lado 4

Título: Moedas II

Designação: Carrinho de espera

Descrição: Vitrine móvel. Caixote de madeira caiada com quatro rodas forrado com jornal contendo coleção de moedas, sem valor comercial, distribuídas em treze recipientes de plástico de tamanhos e cores variados e em uma panela de metal preta com duas alças. Rodas em madeira com calota de alumínio e invólucro de fita adesiva.

Materiais: Madeira, Metal, Plástico, Papel, Tinta\cal, Fita adesiva, Objeto industrializado

Medidas: Altura: 24,00 cm

Largura: 43,00 cm

Profundidade: 61,00 cm

Técnicas: Montagem, Carpintaria, Pintura

Tema/Assunto: Utensílios diversos





 

OBRA CARRINHO DE ESPERA - VAGÃO DE ESPERA VII

lado 1

lado 2

lado3

lado 4



Título: Vagão de espera VII

Designação: Carrinho de espera

Descrição: Caixa de madeira caiada com quatro rodas e com duas hastes de madeira sem pintura presas no sentido longitudinal na margem superior. Contém quatro marmitas de alumínio "Almar" empilhadas e objetos variados em materiais diversos [caixa com grampos de cabelo, caixa com selos de controle em papel, cinzeiro de gesso pintado de azul, etc.]. Rodas caiadas com calotas múltiplas em alumínio e plástico. Grandes orifícios nas duas laterais menores da caixa.

Materiais: Madeira,Vidro, Plástico, Gesso, Tecido, Fibra vegetal, Metal, Tinta/Cal, Objetos industrializados, Giz, Couro animal, Papel

Medidas: Altura: 54,00 cm

Largura: 55,00 cm

Profundidade: 34,00 cm

Técnicas: Montagem, Carpintaria, Pintura

Tema/Assunto: Utensílios diversos


 

OBRA EM FORMA PIRAMIDAL

lado 1

lado 2


lado 3


Título: Taxímetro - suporte

Designação: Composição

Descrição: Montagem. Estrutura de madeira caiada e forma piramidal, com base sobre quatro rodas com calotas de lata. Ao centro, duas hastes verticais com pedaço revestido de ORFA próximo à base e alça em ORFA nas extremidades sustentam duas vitrines, uma de cada lado. Pendurados dois conjuntos de cartelas de fichas de papelão costuradas entre si e arrematadas por alça de fio azul com nomes das virgens (Raquel, Neusa, Rita, Rose...), tampa em palha, estrutura retangular em palha trançada, garrafa de vidro revestida por estrutura em corda com alça, pedaço de papel com anúncio da marca Purina, cubo de jacarandá vazado nas quatro faces com gancho e alça de arame na parte superior. Apoiado na parte de baixo da estrutura, um rolo de tapete de banheiro arrematado por debrum de oleado costurado e amarrado com um cadarço de algodão e um protetor de tampo de vaso sanitário. Também uma bacia de plástico branco, com vários frascos de remédio (prometazina, fenergan, polivitaminas).

Materiais: Madeira, Metal, Papel, Vidro, Tapete, Tecido, Objetos industrializados, Fio encapado, Plástico, Fibra vegetal, Fio de plástico, Tinta\cal, Fio de algodão, Oleado

Medidas: Altura: 151,00 cm

Largura: 56,00 cm

Profundidade: 112,00 cm

Técnicas: Montagem, Carpintaria, Escrita, Perfuração, Pintura, Costura, Revestimento

Tema/Assunto: Vida asilar

OBRA VITRINE, ASSEBLAGE OU ASSEMBLAGE

Frente

Verso


Título: Sapateira Rosangela Maria

Designação: Vitrine

Objetos  Industrializados: - x - 

Descrição: Montagem com seis pares de sapatos femininos organizados em duplas sobre suporte de madeira caiada presos por cadarços de algodão. De cima para baixo, da esquerda para a direita: um par de sapato de couro cinza de salto da marca "Veo De Luxo"; um par de sapato de couro preto de salto da marca "Lilly"; um par de sapatilha de plástico cinza furadinha da marca "Sandak"; um par de sapatilha de couro cinza; um par de sapato de couro cinza da marca "Calçados Deovy"; um par de sapato de couro creme e marrom com cadarço.

Materiais: Madeira, Couro animal, Plástico, Borracha, Fio de algodão, Metal, Tinta\cal

Medidas: Altura: 106,00 cm

Largura: 47,50 cm

Profundidade: 14,00 cm

Técnicas: Montagem, Carpintaria, Pintura

Tema/Assunto: Rosângela Maria

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Vitrine Espelho III - frente

Vitrine Espelho III - verso


Título: Espelho III

Designação: Vitrine

Descrição: Vitrine. Montagem com retrovisor de carro amarelo e azul claro (sem o espelho), um abridor de lata, um descanso de panela retangular em metal com alças, um megafone preto "Delta", uma peça de caixa de som de automóvel "Delta", duas velas de automóvel, ferragens e outros objetos em metal presos sobre suporte de papelão caiado com debrum de cadarço de algodão e estrutura de madeira com as hastes do verso em ORFA. Panela de alumínio com cabo de madeira vermelho e branco pendurada na estrutura de madeira. Sistema de fixação dos itens com arame e placa de metal no verso. Orifício ao centro da margem superior do papelão.

Materiais: Madeira, Papel, Metal, Tecido, Fio de algodão, Cerâmica
Plástico Objeto industrializado, Tinta\cal

Medidas: Altura: 102,50 cm x Largura: 57,00 cm x Profundidade: 12,50 cm

Técnicas: Montagem, Revestimento, Carpintaria, Pintura

Tema/Assunto: Utensílios diversos

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OBRA VESTUÁRIO

Título: Par de sapato - Hong Kong 

Descrição: Par de sapato feminino de salto da marca "Hong Kong", em tecido ocre com debrum de couro marrom, tamanho 37.

Materiais: Tecido, Madeira, Borracha, Couro animal, Objeto industrializado

Medidas: Altura: 10,50 cm

Largura: 25,50 cm

Profundidade: 9,00 cm

Técnicas: Montagem

Tema/Assunto: Objeto de uso pessoal


 

OBR VESTUÁRIOS



Título: Par de sapato - Sonho


Descrição: Par de sapato de salto da marca "Sonho", em couro creme com enfeite quadrado preto na frente.


Materiais: Couro animal, Borracha, Metal


Medidas: Altura: 6,00 cm


Largura: 23,00 cm


Profundidade: 9,00 cm


Técnicas: Montagem


Tema/Assunto: Objeto de uso pessoal

Arlindo Oliveira (1951 - 2024) - Nos últimos anos, passou a se apresentar dançando boleros, com a boneca que produziu, a inesquecível Alcione


Exposição Prosperidade, Felicidade em tudo O Museu do Pontal  28 de maio de 2022

 

A família de Arlindo Oliveira (1951 - 2024) esteve no Museu Bispo do Rosario para fazer a doação das obras do artista do Ateliê Gaia para o acervo.



 

Arlindo Oliveira (1951 - 2024) - Performance "Tresformance" de Arlindo Oliveira, realizada no Pavilhão 10, do Núcleo Ulisses Viana


 

Entrevista com Arlindo Oliveira | Bispo do Rosario – eu vim: aparição, i...

Podcast - Eu Vim Contar | Ep. 02: Quando a escola existe além dos muros

Um dos trechos mais emocionantes do podcast Eu Vim Contar Mais Histórias é quando as professoras Michele e Juliana Lilk da Escola Municipal Juliano Moreira relembram a visita do artista do Ateliê Gaia, Alindo Oliveira, a instituição.

Entrevista com Arlindo Oliveira | Bispo do Rosario – eu vim: aparição, i...

Arlindo Oliveira (RJ, *1951+2024-11-20)





REGRESSO: 2024

TÍTULO ATRIBUIDO: Ateliê Gaia

O Ateliê Gaia, situado na Colônia Juliano Moreira, é um programa do Museu Bispo do Rosário voltado para artistas visuais que foram, no passado, usuários de saúde mental.
O espaço é gerido coletivamente pelos artistas com o apoio e acompanhamento da curadoria geral e pedagógica do Museu.
Atualmente integram o Ateliê Gaia os artistas André Bastos, Arlindo Oliveira, Clovis Aparecido, Leonardo Lobão, Luiz Carlos Marques, Patrícia Ruth, Pedro Mota, Victor Alexandre, Rogéria Barbosa e Sebastião Swayzzer.

ARTISTAS: Arlindo Oliveira

Arlindo Oliveira (RJ, *1951+2024-11-20)
Um dos destaques do Ateliê Gaia, Arlindo é conhecido por realizar uma pesquisa estética única com materiais diversos encontrados em suas caminhadas pela região de Jacarepaguá. Reúne objetos e matérias descartadas, numa miríade de cores e arrumação de formas que, no primeiro olhar sobre esse ajuntamento, pode parecer caótico. É ação obsessiva de um artista ‘lunático’ que nas suas andanças procura por materiais que em suas mãos são transformados em arte.
Através da utilização de suportes e materiais variados, Arlindo harmoniza os elementos que formam os seus trabalhos, agregando sons, luzes e cores de forma excepcional.
O que faz é revitalizar e dar novos sentidos aos descartes da sociedade contemporânea.
(RICARDO RESENDE, Curador do Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea)

TÉCNICA: ---

DIMENSÕES: ---

MATERIAIS: ---

ACERVO: ---

DATA: 26 09 2024

LOCAL: Rio de Janeiro

OBS.:
1 - Todas as peças estão a venda na Loja B
Contatos
(21) 3432-2402
contato@museubispodorosario.com
Endereço
Estr. Rodrigues Caldas, 3400 – Taquara, Rio de Janeiro/RJ - CEP: 22713-375
Dias e Horário de Funcionamento
Terça-feira a sexta-feira 10h às 17h.

Foi um dos primeiros integrantes do Ateliê Gaia, junto à Gilmar Ferreira, Leonardo Lobão e Patrícia Ruth,

Participou como co-curador e artista da exposição Arte Ponto Vital (2021), integrou mostras como 100 anos da Colônia Juliano Moreira: Arquivos, Memórias e Imaginários; Pequenas Cosmogonias: Como brotar mundos? (2023), Utopias: A vida para Todos os Tempos e Glorias (2018), entre muitas outras.

Suas obras também foram expostas no Itaú Cultural, Museu de Arte do Rio, Sesc Pompeia, Casa Brasil, Museu do Pontal e fazem parte de coleções particulares e dos acervos do Museu de Arte do Rio e do Museu AfroBrasil Emanoel Araújo.


“Minha loucura é ser artista”

Notícia

7 outubro 2019

“Minha loucura é ser artista”

No primeiro andar do Museu Bispo do Rosário, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro, Arlindo, de 56 anos, observa com brilho nos olhos quem passa pela porta de entrada. Fica ansioso para mostrar às pessoas algumas de suas obras, que agregam sons, luzes e cores de forma excepcional. São peças de artes plásticas, nas quais ele utiliza suportes e materiais variados, mas principalmente madeira. 

Arlindo Oliveira da Silva é morador, há mais de 40 anos, da Colônia Juliano Moreira, local com diferentes unidades de saúde mental cuja gestão é realizada pelo CIEDS em convênio com a Prefeitura do Rio. A área abriga, entre outros espaços, o museu Bispo do Rosário, onde ele expõe seus trabalhos. 

Sua voz e expressão firmes parecem mostrar um senhor comum de meia-idade, porém, após poucos minutos de conversa, revela-se sua história excepcional, permeada por adversidades, superação, amor pela vida e pela arte.  

Quando tinha 12 anos, sua mãe o deixou na colônia psiquiátrica, alegando que o jovem havia sofrido uma crise e não tinha condições de cuidar dele. Até hoje, ele tem pouco contato com a família – a mãe já é falecida, não tem notícias de seu pai, enquanto os irmãos o visitam com frequência esporádica.

Como efeito da Reforma Psiquiátrica no Brasil, Arlindo e outros pacientes ganharam autonomia para entrar e sair da Colônia em meados dos anos 2000. O local, então, passou a ter o nome de Instituto Municipal de Assistência à Saúde Juliano Moreira, reorientando o modelo de assistência e dando lugar à desinstitucionalização, uma abordagem humanizada, com garantia de direitos, incentivo à autonomia e à reinserção social.

Foi nesse momento que Arlindo decidiu aprender a “se virar” sozinho. Usufruindo da liberdade recém-conquistada, passava horas na rua recolhendo materiais recicláveis e revendia para um ferro-velho próximo. Depois de algum tempo, percebeu que poderia dar outro fim para aqueles apetrechos. Resgatou toda a imaginação contida por anos entre as quatro paredes dos pavilhões da Colônia e depositou em suas criações.

“Comecei com um pedaço de tábua de caixote, tentei fazer algo com aquilo, mas na primeira vez não deu certo. Peguei outro e já comecei a montar uma peça. Então, catei muita madeira, depois construí um avião, depois um barco, depois uma casinha, depois uma capela. Fui me animando a produzir cada vez mais.”

Paralelas à história de Arlindo, aconteceram tantas mudanças na política de saúde mental que o Instituto Juliano Moreira também foi inspirado a não parar. A unidade passou a investir em uma ferramenta cada vez mais usada no tratamento de transtornos psicológicos: a arte. Arlindo integrou o Atelier Gaia, uma das várias oficinas que acontecem no instituto. Ele e seus colegas, também da Colônia, fazem artesanato, pintura e modelagem. 

Essas atividades não foram implementadas apenas para servir de mera expressão cultural, mas para atuarem como importantes técnicas terapêuticas. Elas são suportes que contribuem para dar forma às emoções, abrindo lugar para as potencialidades e criatividade de cada um. Os trabalhos produzidos pelos pacientes podem ser observados de modo a permitir um acompanhamento dos processos psíquicos, onde é possível encontrar conexões entre a situação emocional vivida por eles e o que é produzido pelo seu inconsciente, sendo materializado em suas criações.

Em meio a vários itens da exposição, as peças de Arlindo chamam a atenção dos visitantes. A reação deles é mais ou menos a mesma: os adultos lançam um olhar curioso, como qualquer frequentador assíduo de museus, mas quem gosta mais mesmo de suas peças são as crianças. 

“Imagino que elas devam adorar, porque tudo que eu faço é bem colorido. Uso também luzes e alguma coisa que faça som, de preferência imitando o objeto real que inspira minhas peças.”

Arlindo conta que suas criações são também uma forma de renda, garantindo um pouco mais de dinheiro durante o mês. Ele já chegou a vender um carrinho por R$150 a uma funcionária pública que visitava a Colônia para um trabalho e resolveu presentear o filho com uma das suas obras em exposição. “Em vez de ficarem expostas, minhas peças vão saindo. Se a pessoa não puder comprar naquele momento, eu reservo o que ela gostou, salvo o número de celular dela e combinamos depois um dia para vir buscar.” 

No meio da conversa, ele olha de relance para a imagem de Arthur Bispo do Rosário em um cartaz na entrada. A figura que dá nome ao museu foi um paciente célebre da Colônia Juliano Moreira, onde realizava, assim como Arlindo, diversos trabalhos com materiais rudimentares, transformando-os em justaposição de objetos e bordados. Suas criações fizeram tanto sucesso que ainda hoje, anos depois de sua morte, têm reconhecimento internacional e rodam exposições do mundo todo.

“Eu conheci o Bispo do Rosário, a gente se dava bem, meu quarto era do lado do dele no pavilhão. Acho que tínhamos muito em comum, nós dois fomos tratados como loucos, quando, na verdade, somos artistas incompreendidos.”

Em seguida, Arlindo olha as horas e se despede. Explica que precisa ir até a farmácia, pois se lembrou de que precisa tomar um dos remédios para controlar a pressão. Conta, orgulhoso, que não toma mais medicamentos psicotrópicos. “Eu te falei: não sou louco, minha loucura é ser artista.”

https://www.cieds.org.br/noticia/minha-loucura-e-ser-artista

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Vídeo: Entrevista com Arlindo Oliveira no atelier Gaia, 2017.

https://vimeo.com/210271261?share=copy

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2022



Obra O homem da capoeira – 2021
Acrílica sobre madeira
60 x 30


2021

O índio pataxó 2
30×40


2015

Obra Sem titulo, 2015
Acrílica sobre tela e aplicação de linha
30×20






Arlindo Oliveira, artista do Atelier Gaia e Diana Kolker, curadora pedagógica do Museu Bispo do Rosário, junto às obras de Arlindo. ==========

























Nos últimos anos, passou a se apresentar dançando boleros, com a boneca que produziu, a inesquecível Alcione





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Em cartaz até  8 de novembro 2024, no Corredor Cultural da PUC-Rio, uma mostra com obras de Arlindo Oliveira. Ela coloca os automóveis de Arlindo em vagas reais de estacionamento e é um resultado da parceria interinstitucional entre a PUC-Rio e o Museu Bispo do Rosário.











G.R.E.S. União do Parque Curicica 2026 
“As Viagens de Arlindo — Minha Loucura é Ser Artista”

Em 2026, a União do Parque Curicica leva para a avenida a vida e a obra de Arlindo Oliveira, artista que transformou os desafios da mente em cores, formas e histórias. Interno da Colônia Juliano Moreira desde 1966 e integrante do Ateliê Gaia, Arlindo transformou cada obstáculo em criação, mostrando que a arte é resistência, memória e liberdade.

O enredo surge poucos meses após sua partida, em novembro de 2024, uma semana após sua última exposição no Corredor Cultural da PUC-Rio, e nos convida a refletir sobre a sociedade, a cultura e o poder transformador da arte. A obra de Arlindo atravessa fronteiras, dialoga com a luta antimanicomial, celebra conquistas na Saúde Mental e valoriza os subúrbios do Rio de Janeiro, onde raízes e memórias se encontram.
As Viagens de Arlindo — Minha Loucura é Ser Artista: resistência, emoção e memória em forma de desfile!


COMPOSITORES: DUDU NOBRE, VICTOR RANGE,DINHO PQD, JONATHAN TENÓRIO, RENNE BARBOSA, WAGNER GUERRA, HERVAL NETO E PH UBALDINO

Meu bem
Vim contar sua história
Uma insana trajetoria
Fruto da imaginação
A arte é vida e a vida um desatino
Um sublime desafio
Suburbana inspiração
Viajar e reviver as emoções
O afeto espanta o medo  e liberta corações
O menino desperta sob o manto do saber
Estandarte de esperança
Em um novo amanhecer
Um poema, um rosário
Tudo vai se transformar
O retrato mais bonito
Aquarela multicor
Revoada sem amarras que jamais se imagino

Toca o violão
A inclusão
Sonho meu
Entre oceanos e mandalas
O amor não se perdeu
Em gaia toda sua criação
Universo singular
Arlindo
O seu legado não se apagará
Ao som do bolero uma paixão
O boi diamante eternizar
Saúde mental, uma conquista
Sua loucura é ser artista
Na colônia o centenário é carnaval
Nessa avenida vi o sonho acontecer
Bairro de loucos você sabe onde fica
Curicica

Na colônia o centenário é carnaval
Nessa avenida vi o sonho acontecer
Bairro de loucos você sabe onde fica
Curicica