O Bispo do Rosário, a Colônia e o Mundo Recriado
No estado de Sergipe,
Lá em Japaratuba,
Nasceu Arthur Bispo,
História que não é de lorota.
Um negro marujo e boxeador,
Que a sorte virou na ponta da faca.
A vida, como o mar revolto,
Tinha muitas marés,
Bispo largou a marujada,
Viveu na cidade grande em Botafogo,
Trabalhou de cometa de hotel,
E de repente, sete anjos o viram por perto.
Em 1938,
O chamado veio do alto,
Foi a voz que lhe deu o comando,
Ele andou na rua e disse,
Que viria julgar os vivos e mortos,
E assim que entrou no hospício.
Foi na Colônia Juliano Moreira,
Que a arte começou a florescer,
Tudo que a vida jogou fora,
Bispo transformou, para nos encher,
Garrafas, linhas, fios e barbantes,
Viraram objetos, que fazem o mundo entender.
No manto da apresentação,
Uma obra sagrada,
De um homem que, em seu tempo,
Deu a vida por perdida e abandonada,
Mas a sua obra era a salvação,
De um mundo, que era só fachada.
O tempo passou, ele partiu,
E a sua arte ficou,
Pois o que o hospício guardou,
O mundo todo contemplou,
Um artista que fez história,
E o mundo, ele inventariou.
Ainda hoje na memória,
Da humanidade está gravada,
Uma arte que veio da loucura,
Com a verdade nela enfeitada,
Arthur Bispo do Rosário,
O artista, o profeta, a nossa parada.