O INVENTÁRIO DO MUNDO

===========================================================================================================================================================Fãs da obra de Bispo do Rosário. Bem vindos para ver coisas que considero legais; uma extensão de mim; meus pensamentos e gostos, simplesmente eu: T.MARIA ; tome como verdade o que lhe convém. =========================================================================================================================================================== Uma voz é ouvida pelo homem negro, pobre, estigmatizado, preso numa cela de manicômio. Ele é Arthur Bispo do Rosário. A voz transforma a sua realidade, dá-lhe o tamanho gigante que tem, ordena que ele mude seus dias até seu encontro com Deus. E Arthur transmuta a miséria em riqueza e cor, em fé e sonho. Este Blog retrata a vida, o processo de loucura e a criação artística de Bispo do Rosário, sergipano que viveu por cinco décadas internado em hospitais psiquiátricos, diagnosticado como esquizofrênico. Seu talento artístico e sua obra surpreendente foram descobertos no início dos anos 80 e ganharam repercussão internacional. O que se tem aqui é a história de um homem que se situa entre o mito e a realidade. Com o Manto da Apresentação Bispo do Rosário queria ser enterrado, para estar vestido com a história de sua vida ao chegar à presença de Deus, no grande dia, no dia em que esse corpo atravessaria a matéria e poderia enfim transcendê-la. Transcender a brutalidade que mora na matéria, na condição de vida-morte imposta à sua matéria. O fato de haver tantas fragilidades em sua memória torna ainda mais importante conhecer da história de Bispo. Seja em museus, cordéis, sites, filmes, livros, músicas e o que mais houver, assim preservar sua memória.

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quarta-feira

CORDEL - O Bispo do Rosário, a Colônia e o Mundo Recriado

  O Bispo do Rosário, a Colônia e o Mundo Recriado

No estado de Sergipe,
Lá em Japaratuba,
Nasceu Arthur Bispo,
História que não é de lorota.
Um negro marujo e boxeador,
Que a sorte virou na ponta da faca.
A vida, como o mar revolto,
Tinha muitas marés,
Bispo largou a marujada,
Viveu na cidade grande em Botafogo,
Trabalhou de cometa de hotel,
E de repente, sete anjos o viram por perto.
Em 1938,
O chamado veio do alto,
Foi a voz que lhe deu o comando,
Ele andou na rua e disse,
Que viria julgar os vivos e mortos,
E assim que entrou no hospício.
Foi na Colônia Juliano Moreira,
Que a arte começou a florescer,
Tudo que a vida jogou fora,
Bispo transformou, para nos encher,
Garrafas, linhas, fios e barbantes,
Viraram objetos, que fazem o mundo entender.
No manto da apresentação,
Uma obra sagrada,
De um homem que, em seu tempo,
Deu a vida por perdida e abandonada,
Mas a sua obra era a salvação,
De um mundo, que era só fachada.
O tempo passou, ele partiu,
E a sua arte ficou,
Pois o que o hospício guardou,
O mundo todo contemplou,
Um artista que fez história,
E o mundo, ele inventariou.
Ainda hoje na memória,
Da humanidade está gravada,
Uma arte que veio da loucura,
Com a verdade nela enfeitada,
Arthur Bispo do Rosário,
O artista, o profeta, a nossa parada.

CORDEL - O Mestre do Fio Sagrado

O Mestre do Fio Sagrado
No sertão sergipano, um destino a se traçar,
Nasceu um cabra valente, marinheiro a navegar.
Boxeou, viveu na lida, no Rio de Janeiro a se firmar,
Mas um chamado divino o fez a missão abraçar.
No ano de trinta e oito, a vida virou de repente,
Sete anjos lhe disseram: "És tu quem vai, meu valente,
Julgar vivos e mortos, à vontade do Onipotente".
Assim, Bispo do Rosário cumpriu o seu presente.
Internado num hospício, a loucura lhe apertou,
Mas a sanidade interna, a arte a libertou.
Com o fio de farda desfiada, o tempo ele bordou,
E o mundo em seu quarto, em miniaturas, guardou.
Sua arte não era arte, nem vaidade de artista,
Era a missão de um servo, na fé do missionarista.
Cada objeto ajuntado, em vitrines à vista,
Era um pedaço do mundo, um inventário realista.
Das ruas e do lixo, ele fazia tesouro,
Com linha e muita agulha, construía um adouro,
E o Manto da Apresentação, de valor em ouro,
Bordava nomes queridos, numa fé sem desdouro.
Os anos no isolamento o fizeram produzir,
Catalogando o universo, para o Juízo Final se exibir.
Com a palavra e o tecido, ele fez o mundo fluir,
E da loucura do mundo, a arte fez surgir.
O hospício e a vida, uma dura canção,
Mas Bispo fez da sina a maior inspiração.
Deu voz ao esquecido, à sua imaginação,
E a sua grande obra, à nação, uma lição.
O acervo foi tombado, a arte reconhecida,
Bispo do Rosário, a alma sempre florida.
Deixou a obra mais rica, em sua vida vivida,
Um legado para a arte e a cultura, sem saída.
E assim se vai a história, em cordel, a se espalhar,
De um artista que na vida, não parou de inventar.
Bispo do Rosário, a obra a nos falar,

Que a loucura e a arte andam juntas a rimar. 

CORDEL - Arthur Bispo do Rosário: O Mensageiro de Deus


Na literatura de cordel, a história de Arthur Bispo do Rosário é contada como a de um homem de fé e arte, que transformou sua reclusão na Colônia Juliano Moreira em uma missão divina e criativa
. Usando materiais do cotidiano, ele construiu um "inventário do mundo" para apresentar a Deus no Juízo Final, transformando o que a sociedade via como loucura em uma obra artística de profundo significado.
Arthur Bispo do Rosário: O Mensageiro de Deus
Sergipano, Bispo Rosário,
Em Japaratuba nasceu,
Mas foi no Rio de Janeiro,
Que a vida o surpreendeu.
Marinheiro e boxeador,
Vivia sua labuta,
Até que uma voz divina,
Seu caminho muda.
Numa noite de dezembro,
Do ano trinta e oito,
Anjos o visitaram,
Pra um novo destino aceito.
A missão lhe foi dada,
De salvar vivos e mortos,
E preparar a Terra,
Para o último dos portos.
No Mosteiro de São Bento,
Ele se apresentou,
Com sua fala de fé,
E logo foi internado.
No hospício da Praia Vermelha,
E depois na Colônia,
Onde a dor se fez arte,
E a vida, uma sinfonia.
Com restos e sucata,
Deixada ali pra trás,
Fez da arte sua morada,
Em meio a tanta paz.
Linhas de uniformes,
Bordavam a memória,
Em seu manto da salvação,
Contava uma nova história.
No isolamento do quarto,
Em sua cela ele criou,
Um inventário do mundo,
Que com paciência bordou.
O "Manto da Apresentação",
É sua obra-prima,
Onde sua fé e arte,
Se tornam uma rima.
Não se via artista,
Mas sim um mensageiro,
Que transformou seu mundo,
Em um grande celeiro.
Questionou a loucura,
A arte e a sanidade,
Mostrando que a beleza,
Existe em toda a verdade.
Sua obra é hoje patrimônio,
De nossa nação,
E vive na memória,
De toda a geração.
Bispo Rosário nos ensina,
Que a arte está em toda parte,
E que a fé pode mover,

A vida e a própria arte.