O INVENTÁRIO DO MUNDO

===========================================================================================================================================================Fãs da obra de Bispo do Rosário. Bem vindos para ver coisas que considero legais; uma extensão de mim; meus pensamentos e gostos, simplesmente eu: T.MARIA ; tome como verdade o que lhe convém. =========================================================================================================================================================== Uma voz é ouvida pelo homem negro, pobre, estigmatizado, preso numa cela de manicômio. Ele é Arthur Bispo do Rosário. A voz transforma a sua realidade, dá-lhe o tamanho gigante que tem, ordena que ele mude seus dias até seu encontro com Deus. E Arthur transmuta a miséria em riqueza e cor, em fé e sonho. Este Blog retrata a vida, o processo de loucura e a criação artística de Bispo do Rosário, sergipano que viveu por cinco décadas internado em hospitais psiquiátricos, diagnosticado como esquizofrênico. Seu talento artístico e sua obra surpreendente foram descobertos no início dos anos 80 e ganharam repercussão internacional. O que se tem aqui é a história de um homem que se situa entre o mito e a realidade. Com o Manto da Apresentação Bispo do Rosário queria ser enterrado, para estar vestido com a história de sua vida ao chegar à presença de Deus, no grande dia, no dia em que esse corpo atravessaria a matéria e poderia enfim transcendê-la. Transcender a brutalidade que mora na matéria, na condição de vida-morte imposta à sua matéria. O fato de haver tantas fragilidades em sua memória torna ainda mais importante conhecer da história de Bispo. Seja em museus, cordéis, sites, filmes, livros, músicas e o que mais houver, assim preservar sua memória.

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domingo

UM PASSEIO PELA VIDA E OBRA DO BISPO DO ROSário


Mostra em museu da Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro, traz 60 produções e fotos inéditas do artista plástico, ex-interno do hospital psiquiátrico que funcionou no local. Público pode visitar as dependências da instituição onde ele viveu 

julho de 2016




“Qual a cor da minha aura?” – era uma das perguntas que Arthur Bispo do Rosário(1911-1989) fazia para testar quem tentava visitar a cela que ocupava sozinho em um dos pavilhões da Colônia Juliano Moreira, centro psiquiátrico onde viveu por meio século, diagnosticado como “esquizofrênico-paranoico” depois de, durante um surto psicótico, ter invadido um mosteiro dizendo-se enviado de Deus. Aos poucos que ele permitia entrar em seu “castelo”, como chamava sua cela-ateliê, apresentava suas assemblages (colagens com objetos tridimensionais, como embalagens de plástico, garrafas e outros resíduos descartados nos arredores da colônia), estandartes e roupas feitos com a linha de uniformes, bordados com palavras, nomes e textos de conteúdo místico. Um desses escritos – “Que venham as virgens em cardumes” – e a pergunta-senha de Bispo dão título à exposição Das virgens em cardumes e da cor das auras, reunião de 60 trabalhos do artista aberta para visitação até 2017 no Museu Bispo do Rosário de Arte Contemporânea, que funciona em um dos prédios da colônia.
Além das obras de Bispo – dentre as quais se destacam oito estandartes que foram exibidos juntos pela última vez há mais de 30 anos –, a exposição traz instalações e apresentação de performances de artistas contemporâneos que de alguma forma se relacionam com Bispo. A performance que abriu a mostra em junho, de Eleonora Fabião, consistiu num cortejo pelas dependências da colônia, levando trabalhos emblemáticos de Bispo numa caixa de acrílico: começou com o Manto da apresentação – uma mortalha que ele bordou ao longo da vida para, dizia, vestir quando encontrasse Deus no juízo final –, e terminou com o fardão Eu vim, que traz bordada a data que ele considerava seu verdadeiro nascimento: hora, dia e ano do surto psicótico que resultaria em sua internação, em 1938. Dentre as instalações, destaca-se o Materializador de sonhos, de Nadam Guerra: dezenas de placas de cerâmica que retratam sonhos contados ao artista.
De acordo com a curadoria, a arte performática dialoga diretamente com a obra de Bispo – ele, em si, um performer que circulava pela colônia usando suas próprias produções. Esse aspecto é evidenciado pelas fotos feitas pelo fotógrafo francês Jean Manzon em um ensaio com Bispo para a revista O Cruzeiro nos anos 40, que estão sendo expostas pela primeira vez. As performances ocorrerão no último sábado de cada mês e serão filmadas e exibidas nos demais dias. Os materiais usados nas apresentações, em vez de descartados, serão acumulados até o último dia da exposição – uma referência clara ao trabalho de Bispo, que utilizava o lixo como matéria-prima para, segundo afirmava, representar “o material existente na Terra de uso do homem”. Os cenários das performances serão as galerias do museu, dependências do antigo hospital psiquiátrico e áreas externas da colônia, hoje tombada pelo Patrimônio Histórico. A curadoria criou um mapa com as áreas da colônia que podem ser visitadas para conhecer melhor o lugar onde viveu Bispo, caso o espectador queira explorar os prédios de forma independente ou por visita guiada.
Das virgens em cardumes e da cor das auras.Museu Bispo do Rosário de Arte Contemporânea.
Colônia Juliano Moreira. Estrada Rodrigues Caldas, 3400, Taquara, Jacarepaguá, Rio de Janeiro.
De terça a sábado, das 10h às 17h. Informações: (21) 3432-2402. Grátis. Aos sábados, há ônibus direto do Museu de Arte Moderna (MAM) até a colônia, por R$ 20. Até janeiro de 2017.
Esta matéria foi publicada originalmente na edição de julho de Mente e Cérebro, disponível na Loja Segmento: http://bit.ly/29SXuYj  
Leia mais: 
O encontro entre Dom Quixote e Bispo do Rosário
Em O homem de La Mancha, Miguel de Cervantes é internado em um manicômio e cria uma peça para “loucos”. A estética é inspirada nas obras do artista brasileiro que viveu em um centro psiquiátrico


As artes de Arthur Bispo do Rosário
Com diagnóstico de esquizofrenia-paranóide, ele viveu recluso por meio século e morreu há 20 anos, mas sua obra atravessou os muros da instituição psiquiátrica e obteve reconhecimento

POST ORIGINAL
http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/um_passeio_pela_vida_e_obra_de_bispo_do_rosario.html

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